OEA – Cultura de Segurança no Comércio Internacional*

Auditor ISO 28000 (segurança da cadeia logística) e BASC. Sócio da HLL Consultoria e Auditoria Aduaneira, responsável pela Auditorias das Empresas Clientes para Certificação OEA – Segurança do Programa Brasileiro de OEA.   

 

No último mês estivemos em visita técnica no Capitulo BASC Peru. Para aqueles que não conhecem a BASC  é um entidade certificadora de segurança da cadeia logística Internacional criada em 1996, após duas cargas da MATTEL, multinacional fabricante de brinquedos, como a boneca Barbie, ter sua carga contaminada com inserção de cocaína em transporte terrestre de sua unidade de Tijuana, no México, para San Diego, no EUA. A MATTEL, preocupada em manter sua imagem institucional e seguir as normas de compliance aduaneiro em suas operações, procurou a Aduana Americana, que lhe apresentou um programa de segurança criado em 1986 para combater o contrabando e o narcotráfico nos EUA. A partir disso, a MATTEL reuniu seus parceiros comerciais e criou uma entidade certificadora de segurança, hoje presente nos EUA e em quase todos aos países da América Central, assim como na Colômbia, Peru e Venezuela.

Para aqueles que chegam no aeroporto do pais INCA e se encaminham para os seus centros financeiros, econômicos e turísticos têm uma impressão ruim. São casas simples, trânsito caótico, tudo isso piorado ainda mais pelo uso intenso da buzina no trânsito, o que chega a ser engraçado se não fosse trágico.  Essa impressão negativa, no entanto, dá lugar a uma visão maravilhosa quando se vislumbra o Oceano Pacífico, no bairro de Miraflores. O Peru é hoje o pais da América Latina com maior crescimento médio anual do PIB nos últimos anos.  Sendo vizinho do Chile, Bolívia, Equador, Colômbia e Brasil, o Peru sofre com o problema do narcotráfico que cresce anualmente no mundo. O país tem sua pauta de exportação baseada na agricultura, pesca e extração mineral. Mesmo sendo um pais em desenvolvimento com vários problemas, pudemos perceber em nossa visita, que a cultura de prevenção ao narcotráfico, contrabando, lavagem de ativos e outros crimes ligados ao comércio internacional é forte.

O Capítulo BASC Peru tem hoje 595 empresas associadas, entre elas estão os maiores exportadores do País.  Com uma agenda anual de cursos em gestão risco, prevenção a lavagem de ativos, avaliação de clientes, crimes cibernéticos, segurança física das instalações, vistoria em unidades de carga, entre outros, as empresas buscam um plano de prevenção e aperfeiçoamento contínuo. Em nossos cursos e viagens pela América Latina percebemos muitas semelhanças culturais com o nosso país, como a receptividade, a alegria, a permissibilidade; ”o nosso, ok ! joinha!,” improviso, assaltos, jeitinhos, pobreza entre outras, além dos problemas de corrupção, infraestrutura logística precária e a falta de políticas públicas focadas no longo prazo. De outro lado, o que podemos perceber é que os empresários, empreendedores e algumas áreas de órgãos públicos no país têm procurado criar e manter um cultura de segurança e prevenção da cadeia logística. Tivemos oportunidade de passar alguns dias em Cusco, bela cidade Peruana, analisando e refletindo um pouco sobre as práticas peruanas e sobe a comprovação de que sempre é possível aperfeiçoamentos no tema segurança da cadeia logística.

Um pouco antes de embarcar para o Brasil, observamos que haviam 3 policiais peruanos próximo ao portão de embarque. A partir dessa presença, podíamos afirmar que iria acontecer algo, porque normalmente esse é o procedimento padrão quando é detectado suspeita de droga na bagagem despachada por algum viajante. A Polícia aguarda no embarque para identificação do suspeito. Observando de longe o desenrolar dos fatos, pudemos comprovar que o procedimento não saiu do padrão, tendo os policiais aguardado até que aparecesse um cidadão peruano, aparentando 50 anos, que se identificou para vistoria da bagagem, comprovando-se sua intenção de promover tráfico internacional de drogas. Após nossa estadia no Peru e visita à BASC daquele país, abençoado pela cidade de Macho Pichu, com turismo efervescente, pudemos fortalecer a convicção de que o cumprimento das normas aduaneiras e de segurança na cadeia logística internacional, passa pela conscientização das empresas e de seus colaboradores, treinamento constante, pela criação de procedimentos de compliance e de políticas de segurança baseadas no contexto de que cada interveniente da cadeia logística internacional está inserido em uma realidade (pais, cidade, situação econômica).

2 respostas para “OEA – Cultura de Segurança no Comércio Internacional*”

  1. janete disse:

    muito bom o seu artigo

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