Importação baixa ajuda mais a reduzir déficit do que exportações

 

Os dados do comércio exterior de bens de capital do primeiro semestre trouxeram pelo menos dois aspectos positivos. O primeiro é a redução do déficit do país no segmento – na conta que desconsidera as plataformas de petróleo. O segundo fator é que apontam que alguns subsetores dentro do segmento de bens de capital conseguiram ampliar a exportação.

Economistas como Lia Valls, professora da FGV, destacam, no entanto, que a redução do déficit – de US$ 11,5 bilhões, no primeiro semestre de 2013, para US$ 9,5 bilhões no primeiro semestre de 2014, segundo a Funcex – ocorreu mais por um recuo das importações do que por um amplo crescimento das exportações. E que mesmo o aumento das exportações se deu apenas em alguns poucos subsetores.

No total, das 15 subcategorias mapeadas pela Funcex, 8 registraram crescimento no volume embarcado. No total, o crescimento em bens de capital exportados na primeira metade do ano foi de apenas 4,2%. Essa conta exclui o efeito das plataformas de petróleo embarcadas no primeiro semestre de 2013, que distorcem as estatísticas. Com elas na base de comparação, as exportações de bens de capital recuaram 23,3%.

Entre os setores que tiveram aumento estão, por exemplo, ferramentas e acessórios para máquinas (96,7%) e aviões e outros aparelhos (6,2%). A última subcategoria foi responsável por um quinto de todo aumento de exportação de bens de capital.

“Os bens de uso industrial, que são o grosso da indústria, não foram de todo mal, mas o resultado veio de bens de capital específicos, que não possuem um peso muito grande individualmente”, analisa Julio Gomes de Almeida, do Instituto de Economia da Unicamp.

O vice-presidente da Sobratema, Mario Humberto Marques, diz que o crescimento nas exportações de alguns segmentos não representa recuperação geral. Ele afirma que boa parte desse aumento decorreu da fabricação de algumas máquinas e equipamentos feita por multinacionais instaladas no Brasil. Essa produção sofre menos com a variação cambial e segue outros determinantes, como o fornecimento para outras filiais ao redor do mundo em razão da atuação em cadeias globais de produção.

Para o diretor de mercado externo da Abimaq, associação das indústrias de máquinas, Klaus Curt Müller, a redução do déficit em máquinas e equipamentos mecânicos é importante, já que ocorre após quase uma década em que isso não era observado. Nas suas contas (diferentes das realizadas pela Funcex), ele diz que, desconsiderando as plataformas de petróleo, o déficit em máquinas e equipamentos mecânicos no primeiro semestre de 2013 chegou a US$ 10,7 bilhões e caiu para US$ 8,2 bilhões no primeiro semestre deste ano.

Müller faz, porém, ressalvas em relação ao recuo do déficit. “Tivemos uma redução do valor negativo, mas isso não quer dizer também que foi uma grande maravilha e que estamos resolvendo o problema”, disse, destacando também que a diminuição ocorreu por “vias tortas”, já que veio menos de uma melhora da competitividade brasileira nas exportações e mais por queda das importações.

As informações são do Valor Econômico.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *