Argentina e Chile retomam antigos planos de integração

Por Marli Olmos | Valor

BUENOS AIRES  –  (Atualizada às 18h05) Como se tivessem esperado os quatro anos do mandato do ex-presidente do Chile Sebastián Piñera passar, as presidentes do Chile, Michelle Bachelet, e da Argentina, Cristina Kirchner, retomaram, nesta segunda-feira, 12, planos de cinco anos atrás.

À saída de um encontro do qual somente as duas participaram e que durou uma hora, na Casa Rosada, Cristina disse que a reunião serviu para ampliar a integração entre os dois países e reativar a ideia da construção de um corredor oceânico entre o Pacífico e o Atlântico.

A presidente argentina referiu-se ao chamado projeto Aconcágua, que faz parte do Tratado de Maipu, firmado por Bachelet e Cristina em 2009. O projeto prevê a construção de uma via ferroviária a 2,4 mil metros sobre o nível o mar, com 52 quilômetros de extensão, conectando as cidades de Los Andes, no Chile, e Mendoza, na Argentina.

A negociação em torno do projeto perdeu força durante a gestão de Piñera (2010-2014), período em que o Chile aderiu à aliança do Pacífico, bloco que inclui México, Colômbia e Peru.

Hoje, Cristina e Bachelet — que escolheu a Argentina como sua primeira viagem internacional desde sua posse, em março — almoçaram com dirigentes dos setores empresariais, políticos e embaixadores, no Museu do Bicentenário — inaugurado há três anos, o museu é uma espécie de porão da Casa Rosada e foi marco da celebração dos 200 anos da revolução argentina.

Empresas otimistas

A ideia de retomar o projeto Aconcágua entusiasmou a Corporación America, grupo argentino que lidera um consórcio interessado em investir na obra. Além do grupo argentino, o consórcio inclui a japonesa Mitsubishi Corporation, a chilena Empresas Navieras, a italiana Geodata e a também argentina Contreras Hermanos.

Segundo o porta-voz do grupo argentino, a Corporación America espera que o encontro entre as duas chefes de Estado agilize o lançamento da licitação para a obra, que prevê investimentos de US$ 3,5 bilhões na primeira fase, prevista para dez anos — no total, a previsão de investimento é de US$ 6,9 bilhões.

Brasil

O projeto de integração entre os dois países também deve beneficiar o Brasil, na medida em que possibilitará acesso ao Pacífico para escoar cargas que saiam do Sul do país.

 

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